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quinta-feira, dezembro 31, 2009

Renova-se

Dez
Acabe com esse sentimento do novo!
De novo!
Nove
Não espere o fim do ano,
Pra desejar fazer o que se deve até o fim do dia!
De novo!
Oito
Não espere o fim da hora,
Pra dizer o que já deveria ser ouvido!
De novo!
Sete
Renasça!
Não espere o fim do minuto,
Para que outro minuto recomece.
Simplesmente:
Não espere

Seis
Não é o outro ano que trará coisas boas,
Elas estão lá, é só buscá-las.
Cinco
Não são outros dias que trarão a felicidade,
É você quem a deve levar.
Quatro
Não são outras estações que te darão vida,
É a semente germinada dentro de ti!
Germine!

Três
Acabe com esse sentimento do velho!
Desmonte de tuas costas,
Estas pedras amargas do passado,
E estes obesos sentimentos rancorosos.
Dois
Apenas deixe sobre teus ombros
A sua cabeça e teu pescoço
Para que sustente teu pensamento.
E apenas ele e suas ambições!

Um
Morra o seu eu com este último segundo,
Para renascer no próximo.

Zero
E em todos os próximos.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

E os anos passam...

De todos os implantes, o melhor é o da agonia
De todas as fugas, a melhor é a sem sentido
De todos os amores, o melhor é o não vivido
De todas as loucuras, a maior é se achar humano

Em todos anos, os mesmos desejos
Em cada sorriso, a mesma vontade
Em cada gesto, a morte disfarçada
Em cada volta pra casa, o mesmo sono

É só a mudança no calendário
De todas as páginas, a melhor é a primeira

É só mais uma esperança infundada
De todas as decepções, a maior é a última

É só um brilho a mais no céu
De todas as alegrias, a melhor é a risada

É só um pouco mais de tempo para sofrer
De todas as despedidas, a maior é a lágrima

Em todos anos, a solidão é companheira
Em cada sorriso, escondo minhas tristezas
Em cada gesto, sobrevivo meus anseios
Em cada volta pra casa, a mesma merda

terça-feira, dezembro 29, 2009

Por que não mudamos?

É tão engraçado. Planejamos e nos preparamos para um momento tão curto e especial, que me causa o riso. Viagens à praia, ao sítio ou a casa de alguns parentes distantes. Fazemos questão de estar ao lado de pessoas que gostamos – mesmo sempre tendo aquela tia chata que não fazemos a menor questão de encontrar.
Compramos roupas novas, fazemos simpatias, pulamos ‘ondinhas’ – maldita tradição, eu nunca sei contar essas ondas direito – e pra quê? Escolhemos a cor da roupa, pensando naquilo que queremos para nós mesmos. Alguns enchem a cara, desabam na areia e não sabem nem mesmo dizer o que aconteceu. Outras tradições ofertam presentes à Iemanjá.
Seja qual for o Deus, seja qual for a tradição, tudo isso não passa de papo furado. Somos seres humanos pensantes (assim espero!) e temos total consciência do que está acontecendo.
Por que não paramos esses segundos para observar as estrelas e dar um abraço em alguém que gostamos todos os dias de nossas vidas? Por que não desejamos e não buscamos o melhor para nós mesmos a cada segundo de nossas vidas? Por que não dizemos às pessoas que amamos aquilo que sentimos por elas? Por que não dizemos as palavras “perdão” e “obrigado” na nossa rotina? Por que nos esquecemos de sorrir nos demais dias do ano?
É nessa época do ano em que olhamos confiante para o horizonte, certos de que seremos capazes de fazer as coisas melhores. Se existe um ano novo, também existe um mês novo e um dia novo. Pense nisso! Por que não fazemos essa festa em cada virada de mês? Já seria um progresso.
Esse mundo está cheio de sonhos e de boas intenções, mas faltam mãos, braços e sorrisos para fazer desses sonhos em ações.
Para esse fim de ano, não tenho nada a desejar. Acredito nas minhas palavras e farei de cada dia um novo dia para mudar o mundo a qual pertenço.
Existem coisas que nunca irão mudar, mas para as outras... diga-me, o que está fazendo para mudá-las?

Ano novo, cartas mortas.

Prezada senhora,
Ao entrar em casa
Vi que tinhas saído.
Foi ver os fogos, eu pensei.
Mas a barulheira é tanta, muita festança,
Que nos pensamentos também dancei.

***

Prezada senhora,
Já passam das tantas.
A casa toda já rodei.
Pus uma música e uns copos,
E embebido na ansiedade da tua chegada,
Com os festantes também pulei.

***

Prezada senhora,
A rua já silencia
Justo quando me embriaguei.
Tanta demora pro vinho bater,
Qu me pareceu que te aguardava.
Mas no fim, sozinho chutei e gritei.

***

Prezada senhora,
O céu está banhado em sangue.
As nuvens são línguas de fogo
Me lambendo esse corpo que tanto queimei.
Lá fora o calor abraça os restos da festa
E aqui dentro os restos que me tornei.

***

Prezada senhora,
E lá se vai, morre outro ano sem você.
E sobre seu corpo, se ergue o ano novo.
Para que mal nunca penses de mim,
Nem que de ti guardo rancor,
Essas cartas em fogo eu banharei.
E da tumba dos anos antigos ressucitado
Em trapos de esperanças trajado
De braços abertos te esperarei.

domingo, dezembro 27, 2009

Na virada do copo

Velho ou novo
tudo recomeça
de novo

se será nova aventura?
como todo velho ano
a dúvida perdura

deuses do além
mais um de tantos anos
agora vem

a galope e destreza
na virada do copo
só não há tristeza